Te invejo pelo sumiço
da minha respiração,
não há mais tanto viço,
nem tanta sonhação,
já perdi até a conta
de quanta conta perdi
por esperar sua aparição.
Uma ponta de saudade
de ti, minha inspiração.
E quando vierem eles,
disputar por sua atenção,
em cortejos infindáveis
de presentes e bajulação,
te esperarei na saída,
com um sorriso e uma flor na mão.
O poeta não precisa estar vivo nem morto, ou que esteja os dois ao mesmo tempo.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Da janela vejo...
As poças que refletem o céu,
refletem tambem meu pensamento,
isento de qualquer vontade.
Um suspiro e um lamento,
por preferir sempre a verdade.
Penso longe, passa lento,
o tempo escorre pela cidade.
refletem tambem meu pensamento,
isento de qualquer vontade.
Um suspiro e um lamento,
por preferir sempre a verdade.
Penso longe, passa lento,
o tempo escorre pela cidade.
desAtino
Não sei por que a lua controla as marés
Não sei por que tenho a gravidade aos meus pés
Se a história certa é a que sinto
E sou covarde o bastante pra esconder
Qual o texto em que minto
Tudo em que há para crer?
Não sei por que o sono não deixa que eu durma
Não sei por que me sinto só mesmo em turma
Se a natureza acompanha e guia
E me lembra da Força em meu eu
Por que não vem do vento a energia
E preciso também do mundo teu?
Não sei o que estou a fazer
Não basta ser eu pra entender.
Se a verdade foi aquela que escrevi
E a mentira tudo aquilo que não disse
Onde está a fala que perdi?
Viva em minha própria quixotice?
Não sei por que tenho a gravidade aos meus pés
Se a história certa é a que sinto
E sou covarde o bastante pra esconder
Qual o texto em que minto
Tudo em que há para crer?
Não sei por que o sono não deixa que eu durma
Não sei por que me sinto só mesmo em turma
Se a natureza acompanha e guia
E me lembra da Força em meu eu
Por que não vem do vento a energia
E preciso também do mundo teu?
Não sei o que estou a fazer
Não basta ser eu pra entender.
Se a verdade foi aquela que escrevi
E a mentira tudo aquilo que não disse
Onde está a fala que perdi?
Viva em minha própria quixotice?
sábado, 18 de setembro de 2010
Sonheto
O que vejo da noite é neblina
As verdades que o sonho não quis
Mil desencontros da vida feliz
Que pensei não tornar-se rotina
Perdi do autor a minha sina
Aquilo que o fez grande juiz
Não as mesmas histórias que fiz
Dos tempos de amar ser menina
Pois de pequena meu mundo se fez
Tornei paradoxa a vitória
Cantei meu futuro mais outra vez
Derrubei da moral toda glória
Colori a estrada e a tez
Mas sei bem, não há fim pra história.
As verdades que o sonho não quis
Mil desencontros da vida feliz
Que pensei não tornar-se rotina
Perdi do autor a minha sina
Aquilo que o fez grande juiz
Não as mesmas histórias que fiz
Dos tempos de amar ser menina
Pois de pequena meu mundo se fez
Tornei paradoxa a vitória
Cantei meu futuro mais outra vez
Derrubei da moral toda glória
Colori a estrada e a tez
Mas sei bem, não há fim pra história.
Pena
Vivo de acreditar na vida
Que os tempos uma vez mudarão
De novo não vejo saída
E percebo que corri em vão
Sem estrada, sem rumo, sem chão
Sobre céu e sob mar
Em minha simples solidão
Doces sons de vida
Apenas, coração.
As penas da emoção.
Apenas coração.
Minha pena.
Sem dó, não é pequena.
Que os tempos uma vez mudarão
De novo não vejo saída
E percebo que corri em vão
Sem estrada, sem rumo, sem chão
Sobre céu e sob mar
Em minha simples solidão
Doces sons de vida
Apenas, coração.
As penas da emoção.
Apenas coração.
Minha pena.
Sem dó, não é pequena.
Pensamento
Sempre paro pra pensar
nas horas infelizes.
Sempre raro e devagar,
sem caneta e papel,
vindo de algum lugar
entre o inferno e o céu,
a entrecortar a inspiração.
Partilha com a ideia o véu
da sombria divagação
que sempre surge na cabeça,
antes de fazer qualquer coisa,
antes que tudo aconteça.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
ÀDeus
O chão está onde o coloco
E deixo a vida sem teto
Para que o pra cima
Seja inalcançável
Ao menos uma estrada definida
Mesmo se em cima for embaixo
Farei do baixo um cisma
Se posso decidir.
Previsível que o caminho desvie
E para longe de mim se toque
Ouço antes que os sons alcancem
E sorrio das palavras não ditas
Mas até os saltos se dobram
Quando advinho o próximo verso.
Livre. Como o arbítrio.
Presa, como todo juízo.
E deixo a vida sem teto
Para que o pra cima
Seja inalcançável
Ao menos uma estrada definida
Mesmo se em cima for embaixo
Farei do baixo um cisma
Se posso decidir.
Previsível que o caminho desvie
E para longe de mim se toque
Ouço antes que os sons alcancem
E sorrio das palavras não ditas
Mas até os saltos se dobram
Quando advinho o próximo verso.
Livre. Como o arbítrio.
Presa, como todo juízo.
Setembros (ao 12)
Das folhas do tempo
Belas primaveras
Após tanto sol
Finalmente me queimo
A chuva me transporta
Transforma
Das cinzas ao verde
Renasço.
Belas primaveras
Após tanto sol
Finalmente me queimo
A chuva me transporta
Transforma
Das cinzas ao verde
Renasço.
f Valsa
Das pulsações, o ritmo
Como em sonho sem fim
Sem corpos, sem mentes
Em baile por mim
Da alegria de outrora,
apenas o sorriso do agora.
Terno, mas falso
Vestido de dor
Valsando sem sentido
Pelos tempos de amor.
Como em sonho sem fim
Sem corpos, sem mentes
Em baile por mim
Da alegria de outrora,
apenas o sorriso do agora.
Terno, mas falso
Vestido de dor
Valsando sem sentido
Pelos tempos de amor.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Virginiano
Mais que rio de desencanto,
e se encanto, um calafrio,
pois por pura insegurança,
que eu me rio, qual criança,
a ouvir seu desvario.
Se me perco, tu me achas,
se das achas, brasa queima,
queima meu peito em pedaços,
de tão pueril que me lembro
dos nossos momentos escassos.
E é essa criança inocente,
que teima em brincar de esperança,
cansa a cabeça da gente,
que só pensa em lembrança
e só lembra do que sente.
domingo, 12 de setembro de 2010
Derivada
Estou no limite,
com 'x' tendendo a 'a',
as imagens delas se encontram
no eixo das ordenadas para dar,
quando dividos por 'h',
as inclinações da curva.
As notações são estranhas,
fazem confusão:
o 'h' é a diferença no espaço de domínio
que eu vivo a insistir:
essa diferença tende a 0!
E o que sinto é que não entendem
que 0 é diferente de nada:
enquanto o nulo não existe,
o 0 tem valor, não é 'nada'.
O que não se entende
é que a tangente descreve a inclinação
da curva aquele momento.
A fórmula que descreve a função,
mostra o encontro das duas linhas,
quando substituimos os valores
pelas coordenadas cartesianas.
Devagarções
Amarras juntando as mãos
firmemente no laço,
passa o tempo e então
me fazem esquecer que o abraço
nasce de dentro, e não
do braço, do beijo e da dor.
Cada espaço que ocupo,
nada mais é do que cor.
Nado, mas nada de praia.
Às vezes penso que a falha
está em nadar demais.
Outras acho que o erro
está em ouvir sempre os pais.
Amanhã já é outro dia,
outra ideia e outro ideal,
não farei mais o que faria
verder-me-ia para o mal,
o caminho sempre largo,
amargo, escuro e teatral.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
deplorado ao deleite
enfastiado de circular desorientado
despido, aos trapos, sem vida
sofrendo por uns dois dias a mais
da vida que não é mesmo minha
destarte, de um suspiro à lágrima
do tormento ao motejo pérfido
canto num canto qualquer e nunca encanto
deploro-me no desejo de um deleite
finjo a uma felicidade forjada
mais motejo ao meu mundo manhoso.
despido, aos trapos, sem vida
sofrendo por uns dois dias a mais
da vida que não é mesmo minha
destarte, de um suspiro à lágrima
do tormento ao motejo pérfido
canto num canto qualquer e nunca encanto
deploro-me no desejo de um deleite
finjo a uma felicidade forjada
mais motejo ao meu mundo manhoso.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
SinA qua non
Que eu sorria após respirar
Que das lágrimas me batize
Vez por vez e me renove
Que da paisagem surjam versos
Dizendo por fora o interior
Que do silêncio surja a música
Que o fôlego seja curto
Mas deixe que eu curta
Que as danças sejam eternas
Em cada segundo de inspiração
Que as dificuldades sejam internas
A cada momento de transpiração
Que flexível seja o corpo
Mesmo que não o seja a mente
Que mais confunde que alivia
As dores do nobre carente
Que as estradas sejam estranhas
Para que não faltem os tropeços
O que seria de minha vida
Sem os numerosos recomeços?
Que as faces sejam mil
Para usa-las como ardil
Que a natureza seja a alma
Que alimenta e me acalma
Que o amor seja base,
regra e rumo
Que as perguntas digam mais que as respostas
Que a fantasia seja real
Ainda que a verdade seja fantástica
Que a palavra seja o vício
Mais primitivo e voraz
Que lindo seja o caminho
E livre o pensamento
Que a eternidade seja
E que nada baste por si só.
Sina
Sem a qual nem aqui estaria
Sem a qual eu nada seria.
Que das lágrimas me batize
Vez por vez e me renove
Que da paisagem surjam versos
Dizendo por fora o interior
Que do silêncio surja a música
Que o fôlego seja curto
Mas deixe que eu curta
Que as danças sejam eternas
Em cada segundo de inspiração
Que as dificuldades sejam internas
A cada momento de transpiração
Que flexível seja o corpo
Mesmo que não o seja a mente
Que mais confunde que alivia
As dores do nobre carente
Que as estradas sejam estranhas
Para que não faltem os tropeços
O que seria de minha vida
Sem os numerosos recomeços?
Que as faces sejam mil
Para usa-las como ardil
Que a natureza seja a alma
Que alimenta e me acalma
Que o amor seja base,
regra e rumo
Que as perguntas digam mais que as respostas
Que a fantasia seja real
Ainda que a verdade seja fantástica
Que a palavra seja o vício
Mais primitivo e voraz
Que lindo seja o caminho
E livre o pensamento
Que a eternidade seja
E que nada baste por si só.
Sina
Sem a qual nem aqui estaria
Sem a qual eu nada seria.
Sensatez?!
Cega de minhas visões de mundo
Cega do que julgo ser
Sem ver o que me pedem
Nem o que posso querer.
Abertos os olhos se fecham
Fechados a mente se abre
Sinto o poder do agora
E temo que tudo desabe.
Quem tenta a lucidez
Perde de novo o caminho
Não é minha esta vez
Pode seguir sozinho.
Não acho que é sensatez
Sentir o acontecer
Mas quem disse que alguma vez
Fui eu a escolher?
Cega do que julgo ser
Sem ver o que me pedem
Nem o que posso querer.
Abertos os olhos se fecham
Fechados a mente se abre
Sinto o poder do agora
E temo que tudo desabe.
Quem tenta a lucidez
Perde de novo o caminho
Não é minha esta vez
Pode seguir sozinho.
Não acho que é sensatez
Sentir o acontecer
Mas quem disse que alguma vez
Fui eu a escolher?
Segundos
Meio minuto pra pensar
No que posso escolher
Tento não duvidar
Será o que vai ser
A surpresa é grandiosa
Estranha eu posso ser
Sei que sigo o coração
É esse meu poder
Sorrir a toda prova
Eu sei me entender
Gosto de ser nova
Também não sei ceder.
Suspiros, palavras
Verdades antigas
Mudo meu mundo
Em poucos segundos.
No que posso escolher
Tento não duvidar
Será o que vai ser
A surpresa é grandiosa
Estranha eu posso ser
Sei que sigo o coração
É esse meu poder
Sorrir a toda prova
Eu sei me entender
Gosto de ser nova
Também não sei ceder.
Suspiros, palavras
Verdades antigas
Mudo meu mundo
Em poucos segundos.
Feche os olhos
Bem aqui eu estarei
A rimar sem nem sentir
Pra você eu mentirei:
- Já sei pra onde ir
A verdade que escondi
Há muito se perdeu
O sonho que pedi
Também não era meu
Ver seguir sem sentir falta
Dói demais mas não me mata
Toda prova do que fui
Está nessa fala chata
Não posso pedir que acredite
Mais no que sente do que no que vê
Fuzilaria em último olhar
Se insinuasse não ser o que crê.
A rimar sem nem sentir
Pra você eu mentirei:
- Já sei pra onde ir
A verdade que escondi
Há muito se perdeu
O sonho que pedi
Também não era meu
Ver seguir sem sentir falta
Dói demais mas não me mata
Toda prova do que fui
Está nessa fala chata
Não posso pedir que acredite
Mais no que sente do que no que vê
Fuzilaria em último olhar
Se insinuasse não ser o que crê.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Falso poeta
um poeta de pobre vernáculo
que copia da falsa cópia
apenas obras de nunca óperas
nunca cantadas nem deleitadas
nunca sentidas, nunca choradas
Pobre do falso poeta
que é cópia do falso veneno
que nunca intimida nem ama
não faz amor nem por deleite
não ama, não mata
Sofrimento derramado
espalhado sem pudor ou dor
sem fluência nem boas lágrimas
nem arrepia, não delicia
que copia da falsa cópia
apenas obras de nunca óperas
nunca cantadas nem deleitadas
nunca sentidas, nunca choradas
Pobre do falso poeta
que é cópia do falso veneno
que nunca intimida nem ama
não faz amor nem por deleite
não ama, não mata
Sofrimento derramado
espalhado sem pudor ou dor
sem fluência nem boas lágrimas
nem arrepia, não delicia
Janela de guilhotina
O silêncio me pressiona os ouvidos
É verdade que os sonhos estão próximos
Mas não os vejo nesse reino vazio.
Como que jogada no branco
Vejo luz, mas não definição
Vejo paz, mas não meu coração.
Deixei que se cruzassem as estradas erradas
Não passei pelos atalhos
Mas também perdi a longa caminhada
Para o sol ou para a chuva
A vista clara ou mesmo turva
Sei que os sonhos se abrirão
Após essa janela de meu coração
Apenas um salto e estarei do outro lado
Onde a mata é mais verde
E as flores mais sãs
Onde as fantasias são reais
E as pessoas mais irmãs
Mas algo me prende aqui
Hábito do meio caminho
Não sei onde devo estar.
Em cima da janela,
Olho para fora
Olho para dentro
Fecho os olhos, respiro
Meu santo tormento.
Círculos.
Ando e ando no mesmo lugar.
Desça logo, janela,
defina onde devo ficar.
É verdade que os sonhos estão próximos
Mas não os vejo nesse reino vazio.
Como que jogada no branco
Vejo luz, mas não definição
Vejo paz, mas não meu coração.
Deixei que se cruzassem as estradas erradas
Não passei pelos atalhos
Mas também perdi a longa caminhada
Para o sol ou para a chuva
A vista clara ou mesmo turva
Sei que os sonhos se abrirão
Após essa janela de meu coração
Apenas um salto e estarei do outro lado
Onde a mata é mais verde
E as flores mais sãs
Onde as fantasias são reais
E as pessoas mais irmãs
Mas algo me prende aqui
Hábito do meio caminho
Não sei onde devo estar.
Em cima da janela,
Olho para fora
Olho para dentro
Fecho os olhos, respiro
Meu santo tormento.
Círculos.
Ando e ando no mesmo lugar.
Desça logo, janela,
defina onde devo ficar.
Para a casa, a última lona
Deixo que caia
O único pranto que salva
Ao menos do ódio
O pobre coração
Cada lágrima de dor
Cada centavo de amor
Gasto com um sonho
Se perdem na ingratidão
Como pode haver tanta maldade
em um ser?
Como pode alguém só querer
causar desprazer?
Ouço que era uma brincadeira
De jovens sem o que fazer
Mas para mim isso é besteira
Não pretendo entender
O que sei é que foi abaixo
Um lar sonhado por meses
Destruído todo um esforço
Suado e sofrido por vezes
Vejo apagada a esperança
Nos jovens olhos de mel
De quem trabalha desde criança
E só tem sentido o fel.
O único pranto que salva
Ao menos do ódio
O pobre coração
Cada lágrima de dor
Cada centavo de amor
Gasto com um sonho
Se perdem na ingratidão
Como pode haver tanta maldade
em um ser?
Como pode alguém só querer
causar desprazer?
Ouço que era uma brincadeira
De jovens sem o que fazer
Mas para mim isso é besteira
Não pretendo entender
O que sei é que foi abaixo
Um lar sonhado por meses
Destruído todo um esforço
Suado e sofrido por vezes
Vejo apagada a esperança
Nos jovens olhos de mel
De quem trabalha desde criança
E só tem sentido o fel.
domingo, 15 de agosto de 2010
Pára disso.
Paranóico,
paralelo,
parecido.
Paradigma,
para ti,
pára tu.
para-quedas,
para-raios,
para mim.
Só nao pode parar de amar.
Catástrofe
O tempo correu mais depressa
Mais do que foi possível acompanhar,
E caem coisas pelo caminho
dessas mudanças de ultima hora.
Agora que nessas andanças
se alcança mais do que pede,
Aurora te peço esperança
pois hoje minha força cede.
Um som estalido no ouvido,
e toca um tom já esquecido.
Um cheiro comum de nós dois,
uma velha música de um outro sabor.
Tudo já tão distante,
o ontem, um livro,
empoeirado na estante.
'Abra sua mente'
'Abra seus sonhos'
'Explore os sentimentos'
Sinta e pereça.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Bem-do-século
Era dia e a aurora a sorrir
Deixava vontades
Vontade de ir
Para a nova vida que nasceu
E sei que eras tu que cantavas
Aquele que era o sonho meu.
E então partíamos
A correr
Sem em nenhum momento saber
Qual a estrada do juízo.
O certo é que eu tinha e tenho
tudo que preciso.
E, junto de nós,
Com multidão ou a sós
Corre a vida
Cheia de prós.
O belo é tentarmos manter
Aquilo que queremos ser
Dos sorrisos puros
Aos beijos e abraços
Em nossa pele quente e fria
Com ou sem harmonia
O que importa é ouvir a melodia
Das folhas, dos ventos
De nossos próprios tormentos
Dissolvidos em gargalhadas
A melodia que fazemos
Instante após instante
Em nossa crença de que a luz
Estará perto
Mesmo que distante.
E a saudade só faz cócegas
Alardeando novas eras
Em que continuarás
A ser quem tu eras
Em que, de mãos dadas,
Crendo em gnomos e fadas
Pularemos a alardear
O bem que é viver
O bem que é amar
Talvez até chorar...
Apenas de puro prazer.
Oh, Toninho Álvares!
Parente de dia e mês...
Mostraremos como, além
das desventuras,
podem ser eternas também
as aventuras!
E que bom seria se viesses
a sorrir outra vez!
E conosco cantar,
em suas doces poesias,
as belezas da insensatez.
Abarcar a vida
louca e não sofrida...
E viver após viver.
Deixava vontades
Vontade de ir
Para a nova vida que nasceu
E sei que eras tu que cantavas
Aquele que era o sonho meu.
E então partíamos
A correr
Sem em nenhum momento saber
Qual a estrada do juízo.
O certo é que eu tinha e tenho
tudo que preciso.
E, junto de nós,
Com multidão ou a sós
Corre a vida
Cheia de prós.
O belo é tentarmos manter
Aquilo que queremos ser
Dos sorrisos puros
Aos beijos e abraços
Em nossa pele quente e fria
Com ou sem harmonia
O que importa é ouvir a melodia
Das folhas, dos ventos
De nossos próprios tormentos
Dissolvidos em gargalhadas
A melodia que fazemos
Instante após instante
Em nossa crença de que a luz
Estará perto
Mesmo que distante.
E a saudade só faz cócegas
Alardeando novas eras
Em que continuarás
A ser quem tu eras
Em que, de mãos dadas,
Crendo em gnomos e fadas
Pularemos a alardear
O bem que é viver
O bem que é amar
Talvez até chorar...
Apenas de puro prazer.
Oh, Toninho Álvares!
Parente de dia e mês...
Mostraremos como, além
das desventuras,
podem ser eternas também
as aventuras!
E que bom seria se viesses
a sorrir outra vez!
E conosco cantar,
em suas doces poesias,
as belezas da insensatez.
Abarcar a vida
louca e não sofrida...
E viver após viver.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
um riso perdido
Dedos que se calam
a nota nem nota que não é notada
nada se toca senão a vida
nem mais existe o tom do som
um violão desafinado
cordas quase rachadas
sorte quase perdida
sonhos quase matados
a morte em meus ouvidos toca
a musica que morre
o som que deixa de existir
o desespero que se cala
deixo de esperar e espero
canso de sentir-me no espelho
minha barba por fazer já é desleixo
meu rosto se esconde
não mais aqui fico
nem sei aonde
nem as pernas estico
não ando e corro
não canso e morro
meu suor é meu próprio sangue
de olhos fechados
sem perceber
de meus poros brotam uma lágrima doce
a nota nem nota que não é notada
nada se toca senão a vida
nem mais existe o tom do som
um violão desafinado
cordas quase rachadas
sorte quase perdida
sonhos quase matados
a morte em meus ouvidos toca
a musica que morre
o som que deixa de existir
o desespero que se cala
deixo de esperar e espero
canso de sentir-me no espelho
minha barba por fazer já é desleixo
meu rosto se esconde
não mais aqui fico
nem sei aonde
nem as pernas estico
não ando e corro
não canso e morro
meu suor é meu próprio sangue
de olhos fechados
sem perceber
de meus poros brotam uma lágrima doce
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Dedos de lágrimas
Desgraça de amargura percebida no peito
sigo sem rumo e sem chão a qualquer lugar
sempre em frente sem abrir os olhos
mesmo que eu busque meu lugar perfeito
sofro a luxúria do sentido de amar
com o corpo aberto e a mente fechada
meio em canto comum com as mesmas ideias
sem ideal, sem ser real
mentindo pra mim até sobre mim
quando canto ou corro, sinto
quando fico e choro, sofro
não sou eu quando me escrevo
nem quem sou não me quer ser
no sofrimento de meus dedos
grito antitético noutro canto
sigo sem rumo e sem chão a qualquer lugar
sempre em frente sem abrir os olhos
mesmo que eu busque meu lugar perfeito
sofro a luxúria do sentido de amar
com o corpo aberto e a mente fechada
meio em canto comum com as mesmas ideias
sem ideal, sem ser real
mentindo pra mim até sobre mim
quando canto ou corro, sinto
quando fico e choro, sofro
não sou eu quando me escrevo
nem quem sou não me quer ser
no sofrimento de meus dedos
grito antitético noutro canto
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Durmo o medo meu
sopro que nem resfria nem me aquece
morre na pele o tato sem sentido
sem gelo seco nem fogo ardente
sem agonia nem bater de dentes
Fala calada que ouço o inaudito
Riso cantado sem nota nem tom
Por um sussurro grito por dentro
num respirar sinto alivio bom
Canto num canto sem voz
Sem vez aquieto-me só
Medo meu de um sono profundo
de num canto não mais me ouvir cantar
morre na pele o tato sem sentido
sem gelo seco nem fogo ardente
sem agonia nem bater de dentes
Fala calada que ouço o inaudito
Riso cantado sem nota nem tom
Por um sussurro grito por dentro
num respirar sinto alivio bom
Canto num canto sem voz
Sem vez aquieto-me só
Medo meu de um sono profundo
de num canto não mais me ouvir cantar
Trilha
A paisagem é inebriante
Mesmo seca em seus galhos e aromas
Mesmo rachada em sua terra e suspiros
Cada subida é um lance
Cada passo uma vitória
Sem destino certo
para cima
Onde o fôlego não mais alcança
Onde a estrada se fecha
Sem deixar pista nem brecha
Do que virá
Outros passantes desviam
Vão para algum lugar
Incerto
Incertas todas as metas
dos que estão a trilhar
Ritmo constante
Só não se pode parar
Cada descanso custa mais
do que se possa pensar
Ruídos vêm de todo lugar
Mas o foco se mantém
Não podemos desviar
Até que cheguemos tão em cima
Onde já não possamos respirar
Onde não vemos mais sentido
Em trilhar só por trilhar
Porque em cima nada há
pra declarar
Fincar bandeira? Acampar?
Quais as glórias?
Qual a lógica de lá estar?
É a mesma paisagem de sempre
Mas aquele não é o lar
Sem caminhos novos
que possamos almejar
Descemos
Descemos pelo mesmo lugar.
Mesmo seca em seus galhos e aromas
Mesmo rachada em sua terra e suspiros
Cada subida é um lance
Cada passo uma vitória
Sem destino certo
para cima
Onde o fôlego não mais alcança
Onde a estrada se fecha
Sem deixar pista nem brecha
Do que virá
Outros passantes desviam
Vão para algum lugar
Incerto
Incertas todas as metas
dos que estão a trilhar
Ritmo constante
Só não se pode parar
Cada descanso custa mais
do que se possa pensar
Ruídos vêm de todo lugar
Mas o foco se mantém
Não podemos desviar
Até que cheguemos tão em cima
Onde já não possamos respirar
Onde não vemos mais sentido
Em trilhar só por trilhar
Porque em cima nada há
pra declarar
Fincar bandeira? Acampar?
Quais as glórias?
Qual a lógica de lá estar?
É a mesma paisagem de sempre
Mas aquele não é o lar
Sem caminhos novos
que possamos almejar
Descemos
Descemos pelo mesmo lugar.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Astro
Sinto a brisa da noite
E ouço a sua música
A paz estremece
As dúvidas retornam
Olho a imensidão
E lá está a estrela
Que me cobre de razão
Uma luzinha apenas
Em meio a escuridão
Me entorpece
E deixo de lado a solidão
Nunca fui uma estrela
Mas sei o que é estar só
Em meio a multidão.
E ouço a sua música
A paz estremece
As dúvidas retornam
Olho a imensidão
E lá está a estrela
Que me cobre de razão
Uma luzinha apenas
Em meio a escuridão
Me entorpece
E deixo de lado a solidão
Nunca fui uma estrela
Mas sei o que é estar só
Em meio a multidão.
Trânsito
Via marginal, asfalto ardente
pressa matinal, eu imprudente
louco confiante, meio infrator
teimoso, mato e morro sem amor
adiante meu sangue se escorre
pneus espalham meu derrame
dou um trauma por um traumatismo
quem me vê agora, não dorme
Sangue meu por valetas se escorrendo
meu corpo agora sem vida
mal percebe o asfalto que o queima
minha vida agora sem corpo
meu corpo ao deleite de meu sangue
não mais se incomoda
nada sente de dor ou prazer
apenas morre...
pressa matinal, eu imprudente
louco confiante, meio infrator
teimoso, mato e morro sem amor
adiante meu sangue se escorre
pneus espalham meu derrame
dou um trauma por um traumatismo
quem me vê agora, não dorme
Sangue meu por valetas se escorrendo
meu corpo agora sem vida
mal percebe o asfalto que o queima
minha vida agora sem corpo
meu corpo ao deleite de meu sangue
não mais se incomoda
nada sente de dor ou prazer
apenas morre...
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Torpor
Meu corpo cai suavemente
Na maciez de minha insônia
Finalmente o calor me toma
E mesmo a queimação agora agrada
Faço com que o tempo pare
E que nenhum movimento desperte
Susurros longínquos insistem
Mas não estou aqui
Aqueço-me languidamente
E o torpor me devora
Curiosidade somente
Ainda não chegou a hora.
Na maciez de minha insônia
Finalmente o calor me toma
E mesmo a queimação agora agrada
Faço com que o tempo pare
E que nenhum movimento desperte
Susurros longínquos insistem
Mas não estou aqui
Aqueço-me languidamente
E o torpor me devora
Curiosidade somente
Ainda não chegou a hora.
domingo, 18 de julho de 2010
Éramos cinco
Sem estrela guia
Sem estrada certa
Sem perder um dia
A vida se descortinava
E sozinhos estávamos todos
Juntos
Estranhos para nós
Estranhos para uns e outros
A buscar a voz que não cala
Mesmo em seu silêncio.
O Universo cresceu
Sós, mas não a sós
Infinitos
Éramos cinco,
Éramos mil.
Sem estrada certa
Sem perder um dia
A vida se descortinava
E sozinhos estávamos todos
Juntos
Estranhos para nós
Estranhos para uns e outros
A buscar a voz que não cala
Mesmo em seu silêncio.
O Universo cresceu
Sós, mas não a sós
Infinitos
Éramos cinco,
Éramos mil.
sábado, 17 de julho de 2010
Apenas um tempo
Tudo que eu preciso agora...
Tudo que preciso agora, é gritar o que vive abafado.
Soltar minhas convulsões.
Deixar de ser o escudo do mundo.
O escudo e o confessionário de todo mundo.
Preciso chorar sem engolir minhas lágrimas.
Apenas um tempo.
Preciso de um abraço confiável.
Entenda que sou forte o suficiente,
para entender que estou no meu limite.
Quero pegar alguma carona que me leve, leve
pra longe daqui.
Apenas um tempo, para que eu possa
respirar, para que eu possa viver .
Eu só quero.. respirar !
Tudo que preciso agora, é gritar o que vive abafado.
Soltar minhas convulsões.
Deixar de ser o escudo do mundo.
O escudo e o confessionário de todo mundo.
Preciso chorar sem engolir minhas lágrimas.
Apenas um tempo.
Preciso de um abraço confiável.
Entenda que sou forte o suficiente,
para entender que estou no meu limite.
Quero pegar alguma carona que me leve, leve
pra longe daqui.
Apenas um tempo, para que eu possa
respirar, para que eu possa viver .
Eu só quero.. respirar !
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Nas asas da madrugada
Prometi que não conversaria mais com a madrugada,
prometi que não pensaria sobre nada,
prometi que não quebraria mais minha asa,
nos becos por onde não posso passar.
Esqueci que não cumpro promessas,
esqueci que não posso parar de pensar,
esqueci que encontro a madrugada,
esqueci que minha asa, só é asa
para poder se quebrar!
Esqueci que os becos são meus caminhos..
Esqueci de lembrar que os becos, são
meus eternos caminhos.
Lembrei de tudo,
conversando com a madrugada,
por causa de uma asa quebrada.
prometi que não pensaria sobre nada,
prometi que não quebraria mais minha asa,
nos becos por onde não posso passar.
Esqueci que não cumpro promessas,
esqueci que não posso parar de pensar,
esqueci que encontro a madrugada,
esqueci que minha asa, só é asa
para poder se quebrar!
Esqueci que os becos são meus caminhos..
Esqueci de lembrar que os becos, são
meus eternos caminhos.
Lembrei de tudo,
conversando com a madrugada,
por causa de uma asa quebrada.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Paciência
És ciência da paz
És a Paz-ciência
Toda a minha vida
Aguardo tua clemência
Lágrimas cruzadas
Berros apagados
Morte aos momentos
Tão afogueados
Paz, ciência
Odeio tua ausência!
Momentos detonados.
És a Paz-ciência
Toda a minha vida
Aguardo tua clemência
Lágrimas cruzadas
Berros apagados
Morte aos momentos
Tão afogueados
Paz, ciência
Odeio tua ausência!
Momentos detonados.
Gelo seco
A caldeira desfere farpas
O próprio fogo já se apagou
Agora, só sobra a água
Que o desaforo gelou
Palavras em sublimação
Sublime ação de orgulho
Olhos que se evitam
Ouvidos que fazem triagem
Os abraços distanciam
Coração revira a bagagem
Talvez em busca de mesmo mar
Somos dois ausentes
a vagar
A frieza prossegue
Sólida ou a vapor
O que marca a correnteza
Certamente é a dor
Sem saber como agir,
o que falar, o que sentir
Sem meu eu
E sem o seu
Amigos de curta data
Retornamos ao breu.
O próprio fogo já se apagou
Agora, só sobra a água
Que o desaforo gelou
Palavras em sublimação
Sublime ação de orgulho
Olhos que se evitam
Ouvidos que fazem triagem
Os abraços distanciam
Coração revira a bagagem
Talvez em busca de mesmo mar
Somos dois ausentes
a vagar
A frieza prossegue
Sólida ou a vapor
O que marca a correnteza
Certamente é a dor
Sem saber como agir,
o que falar, o que sentir
Sem meu eu
E sem o seu
Amigos de curta data
Retornamos ao breu.
terça-feira, 29 de junho de 2010
Indigente
Entornado em poções de desamor
do suor que de meus poros brota após dor
em minh'alma um puro gosto sem sabor
vida minha, eterno marco de labor
crescendo em campos destoados
sofrendo o escampo ensolarado
na mísera morte vem o corvo
que chora à espreita pelo corpo
vivenda despojada
improdutiva carente
vida minha obstinada
pobre, sou indigente
na noite um acalento
vejo meu sonho opulento
a morte me enobrece
minha dor quase desaparece
do suor que de meus poros brota após dor
em minh'alma um puro gosto sem sabor
vida minha, eterno marco de labor
crescendo em campos destoados
sofrendo o escampo ensolarado
na mísera morte vem o corvo
que chora à espreita pelo corpo
vivenda despojada
improdutiva carente
vida minha obstinada
pobre, sou indigente
na noite um acalento
vejo meu sonho opulento
a morte me enobrece
minha dor quase desaparece
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Cobrimos Olhos Para Admirar
Pintamos em mil cores
o que em vida desbota
Esquecemos o resto
Somos uma torcida torta
Não vou torcer
Não vou apostar
Tanto faz o resultado
Glórias irão se apagar
As verdadeiras vitórias
Muitos as perderão
Ninguém irá premiar.
Fim de jogo.
Abrimos os olhos
De aquarelas às mazelas
Voltamos a reclamar.
Abrimos os olhos?
Quem poderá provar?
Talvez só estejamos todos a delirar.
o que em vida desbota
Esquecemos o resto
Somos uma torcida torta
Não vou torcer
Não vou apostar
Tanto faz o resultado
Glórias irão se apagar
As verdadeiras vitórias
Muitos as perderão
Ninguém irá premiar.
Fim de jogo.
Abrimos os olhos
De aquarelas às mazelas
Voltamos a reclamar.
Abrimos os olhos?
Quem poderá provar?
Talvez só estejamos todos a delirar.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Desequilíbrio harmônico
- Para baixo.
- Para cima.
- Amanhã.
- Agora.
- Luta!!!
- Paz!!!
- Sol.
- Chuva.
- Falado.
- Escrito.
- Resposta.
- Pergunta.
- Odeio-te!
- Amo-te!
Discordamos
E só assim concordamos.
- Para cima.
- Amanhã.
- Agora.
- Luta!!!
- Paz!!!
- Sol.
- Chuva.
- Falado.
- Escrito.
- Resposta.
- Pergunta.
- Odeio-te!
- Amo-te!
Discordamos
E só assim concordamos.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Soldado Urbano
um soldado sem patente,
sem uma regra moral,
sem amor à quem pertence,
sem sonho ideal.
que um lírio perfumado arrancou,
de campos minados, sem senhor.
Suas historias de batalha
enchem os olhos de lagrimas quentes,
que escorrem navalha, no pulso,
puro sangue de gente
que pensa que o fim é logo ali,
e o paraíso: eu menti.
Se afaste da faca, se afaste da forca,
se afoito se parte, não deixa escolha.
se a noite caiu, se farte de tudo,
que houver no mundo.
sem um tiro que esquente
os pensamentos em profusão,
sem um coração que sente
aquela velha ilusão
que de velha se esqueceu que era a verdade,
que aquece os sonhos de quem dorme na cidade.
um soldado impotente,
sem um rifle mortal,
sem força aparente,
mas que cre vai conseguir
pois sabe que o fim é logo ali,
naqueles campos minados, de quem dorme na cidade.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Digite aqui seu título
Verso destinado a apresentar o tema,
algo meio depressivo de preferência,
escrito rápido e sobre coisas que o autor
geralmente não tem consciência.
Verso com anáfora,
às vezes sem sentido
que os tolos literatos
tentam ver explicação.
Verso bem versatil,
verso em prosa com o leitor,
prosopopéia do papel,
versado em rimas populares
sem alarde ou escarcéu,
e sem rima no final.
domingo, 20 de junho de 2010
Absoluto
A lua se afasta da terra,
e quando ela for embora
acabar-se-ão as marés,
o olhar perdido de quem namora
o passo mais leve dos nossos pés.
E horas e horas olhando pro nada,
orando pro nada, lágrimas nos olhos
por toda madrugada,
ainda bem que acabou.
A árvore centenária
Lá estava ela
Gigante e imponente
Às vezes verde
Às vezes só
E sempre linda
Duros anos
Grandes vidas
Tantas perdas
Tão sofridas
Lá esteve ela
Companheira de todas as horas
Cúmplice de vários momentos
Fortaleza inextinguível
Foi-se embora
A brutos golpes
Perdi aquela sombra
E os galhos e folhas
que me direcionavam o vento
Sem forças para evitar
Nem por um momento
Meu mundo é a minoria
Outras sombras
Outras folhas
E outros troncos
Desconhecem minha história
Marcada em anéis
E em anéis cortada
Restaram raízes
Queimadas
Talvez novo rumo se levante
E novos passos se inscrevam
Mas talvez as estradas se afundem
O sabor da chuva se perca
Os ninhos se desfacelem
As melodias cessem
E os sonhos prescrevam.
Gigante e imponente
Às vezes verde
Às vezes só
E sempre linda
Duros anos
Grandes vidas
Tantas perdas
Tão sofridas
Lá esteve ela
Companheira de todas as horas
Cúmplice de vários momentos
Fortaleza inextinguível
Foi-se embora
A brutos golpes
Perdi aquela sombra
E os galhos e folhas
que me direcionavam o vento
Sem forças para evitar
Nem por um momento
Meu mundo é a minoria
Outras sombras
Outras folhas
E outros troncos
Desconhecem minha história
Marcada em anéis
E em anéis cortada
Restaram raízes
Queimadas
Talvez novo rumo se levante
E novos passos se inscrevam
Mas talvez as estradas se afundem
O sabor da chuva se perca
Os ninhos se desfacelem
As melodias cessem
E os sonhos prescrevam.
adaf - ed - sotnoC
Os cabelos não são como o sol
A pele não é como a neve
Sem olhos de céu ou mata virgem
Sem florestas e sem castelos
Sem príncipes e seus cavalos
Sem bruxas ou madrastas
Sem heróis
Cem vilões
Nem princesa, nem camponesa
Aqui e não distante
Agora e não há muito tempo atrás
Grandes pés
Maçãs verdes e não vermelhas
Distância de rocas
Alergia a tapetes, mesmo os voadores
Carregando suas próprias feras
Nem do ar
Nem do mar
Sem terra
Sem fogo
Nem toda aquela beleza
Nem toda aquela pureza
O avesso da história
Sem a passiva natureza
Nada de final feliz para sempre
Pois a felicidade talvez acabe
E, o final, pode ser que não exista.
A pele não é como a neve
Sem olhos de céu ou mata virgem
Sem florestas e sem castelos
Sem príncipes e seus cavalos
Sem bruxas ou madrastas
Sem heróis
Cem vilões
Nem princesa, nem camponesa
Aqui e não distante
Agora e não há muito tempo atrás
Grandes pés
Maçãs verdes e não vermelhas
Distância de rocas
Alergia a tapetes, mesmo os voadores
Carregando suas próprias feras
Nem do ar
Nem do mar
Sem terra
Sem fogo
Nem toda aquela beleza
Nem toda aquela pureza
O avesso da história
Sem a passiva natureza
Nada de final feliz para sempre
Pois a felicidade talvez acabe
E, o final, pode ser que não exista.
sábado, 19 de junho de 2010
Matinée
Pelejar pra acordar cedo,
tomar café lendo revista.
tão sem pressa, eu sem graça,
vendo a fumaça subir,
achando graça do que lia:
o senado vai ganhar mais.
Tanta gente nesse carro,
tanto sonho pra sonhar,
no balanço, eu descanso,
não me canso de olhar
os prédios e as pessoas com sono.
Tudo está no lugar,
até que haja pressa.
Escrever é preciso
Tenho que sentir, pra escrever,
sou escravo, sou alma
penada que tenta ser
individuo coletivo, com mais calma,
paciência e o que for
suficiente pra ciência.
Cidadão da selva
de pedras corroídas e gastas,
tanta guerra pelo mundo,
tanta guerra em mim mesmo,
tanto medo oriundo da fé.
Mas ainda assim, tenho que sentir,
pra escrever é preciso,
consentir minhas mãos a mover
decretar um inciso, permitir,
pra tentar ir além do comum,
como um, ou com quem
quiser ir com os cinco.
Escrevo. Escravo.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Cemitério de ideias
Texto em prosa de buteco,
ou em verso de embalagem,
mais é texto quanto poema.
Uma viagem num, ou noutro tema,
que tema não sair da cabeça,
escrevo aqui antes que esqueça,
ou pereça, ideia fraca,
que de nada adianta lutar,
espernear e tentar correr,
é uma viagem, sem volta,
pro cemitério.
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